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Diabetes Tipo 2: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Infográfico sobre prevalência do diabetes tipo 2 no Brasil e no mundo

Diabetes Tipo 2: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

O diabetes tipo 2 é uma das condições crônicas mais prevalentes do mundo moderno e representa um dos maiores desafios para os sistemas de saúde globais. Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), mais de 537 milhões de adultos viviam com diabetes em 2021, e a projeção para 2045 ultrapassa 783 milhões de casos. No Brasil, estima-se que cerca de 16,8 milhões de pessoas tenham a doença, muitas delas ainda sem diagnóstico.

Diferentemente do diabetes tipo 1, em que o organismo simplesmente não produz insulina, o diabetes tipo 2 envolve uma combinação de resistência à ação da insulina e produção gradualmente insuficiente desse hormônio. Isso leva ao acúmulo de glicose (açúcar) no sangue, desencadeando uma série de consequências para o organismo a curto e longo prazo.

A doença afeta principalmente adultos acima dos 45 anos, pessoas com excesso de peso e indivíduos com histórico familiar de diabetes. No entanto, nas últimas décadas, tem sido cada vez mais diagnosticada em adultos jovens e até em adolescentes, reflexo direto do aumento da obesidade e do sedentarismo. Compreender seus sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento é fundamental para viver bem com — ou prevenir — essa condição.

O que é diabetes tipo 2?

O diabetes tipo 2 é uma doença metabólica crônica caracterizada por níveis elevados de glicose no sangue (hiperglicemia). Isso ocorre porque as células do corpo passam a responder mal à insulina — hormônio produzido pelo pâncreas que funciona como uma “chave” para abrir as células e permitir a entrada de glicose. Esse fenômeno é chamado de resistência à insulina.

Com o tempo, o pâncreas tenta compensar produzindo mais insulina, mas essa sobrecarga progressivamente esgota sua capacidade de produção. Quando a insulina disponível não é mais suficiente para manter a glicemia em níveis normais, o diagnóstico de diabetes tipo 2 se confirma.

É importante entender que o diabetes tipo 2 se desenvolve de forma gradual, muitas vezes ao longo de anos, e pode permanecer silencioso por longo tempo antes de ser identificado. Por isso, os exames de rastreamento periódicos são tão relevantes.

Causas do diabetes tipo 2

O diabetes tipo 2 não tem uma causa única. Ele resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais e comportamentais. Entre os principais mecanismos envolvidos estão:

  • Resistência à insulina: as células musculares, do fígado e do tecido adiposo deixam de responder adequadamente ao hormônio.
  • Disfunção das células beta do pâncreas: essas células são responsáveis pela produção de insulina. Com o tempo, elas se tornam menos eficientes.
  • Aumento da produção hepática de glicose: o fígado passa a liberar mais glicose do que o necessário, mesmo quando os níveis já estão elevados.
  • Inflamação crônica de baixo grau: associada à obesidade, contribui para o desenvolvimento da resistência insulínica.

Fatores como alimentação inadequada, vida sedentária e ganho de peso corporal são os principais aceleradores desse processo em pessoas com predisposição genética.

Fatores de risco

Conhecer os fatores de risco do diabetes tipo 2 é o primeiro passo para a prevenção. Os principais são:

  • Sobrepeso ou obesidade, especialmente quando há acúmulo de gordura abdominal
  • Sedentarismo e ausência de atividade física regular
  • Histórico familiar de diabetes em parentes de primeiro grau
  • Idade acima de 45 anos
  • Diagnóstico anterior de pré-diabetes (glicemia entre 100 e 125 mg/dL em jejum)
  • Síndrome dos ovários policísticos (SOP)
  • Diabetes gestacional em gestação anterior
  • Hipertensão arterial e colesterol ou triglicerídeos alterados
  • Pertencer a grupos étnicos com maior predisposição, como afrodescendentes, hispânicos e indígenas

Vale destacar que ter um ou mais desses fatores não significa que a doença se desenvolverá, mas indica a necessidade de atenção e acompanhamento médico regular.

Sintomas do diabetes tipo 2

Sintomas mais comuns

O diabetes tipo 2 frequentemente evolui de forma silenciosa nos estágios iniciais. Quando os sintomas aparecem, os mais comuns incluem:

  • Sede excessiva (polidipsia) e boca seca persistente
  • Vontade frequente de urinar, inclusive à noite (poliúria e noctúria)
  • Fome intensa mesmo após refeições (polifagia)
  • Cansaço e fraqueza sem causa aparente
  • Visão embaçada ou turva
  • Cicatrização lenta de feridas e cortes
  • Infecções frequentes, especialmente urinárias, na pele ou em mucosas

Sintomas menos comuns

  • Formigamento, dormência ou ardência nas mãos e pés (neuropatia periférica em estágio inicial)
  • Pele seca e com coceira
  • Manchas escuras na pele em regiões de dobras (pescoço, axilas, virilha) — sinal chamado acantose nigricante
  • Disfunção erétil em homens

Sinais de alerta — procure atendimento imediato

Se houver confusão mental, dificuldade de respirar, vômitos incontroláveis, dor abdominal intensa ou perda de consciência em diabético conhecido, procure pronto-socorro imediatamente. Esses sinais podem indicar complicações graves como cetoacidose ou síndrome hiperosmolar.

Como é feito o diagnóstico

Avaliação clínica

O médico realiza uma avaliação completa que inclui histórico familiar, hábitos de vida, peso, pressão arterial e sinais clínicos. Mesmo sem sintomas, indivíduos com fatores de risco devem realizar rastreamento periódico.

Exames laboratoriais utilizados

Os principais exames utilizados para diagnosticar o diabetes tipo 2 são:

  • Glicemia de jejum: realizado após 8 horas sem ingestão de alimentos. Valores iguais ou acima de 126 mg/dL em duas medições confirmam o diagnóstico.
  • Teste oral de tolerância à glicose (TOTG ou curva glicêmica): o paciente ingere 75g de glicose dissolvida em água e tem o sangue colhido após 2 horas. Resultado igual ou acima de 200 mg/dL indica diabetes.
  • Hemoglobina glicada (HbA1c): reflete a média da glicemia dos últimos 2 a 3 meses. Valores iguais ou acima de 6,5% confirmam diabetes. É um exame prático por não exigir jejum.
  • Glicemia casual: coleta realizada a qualquer hora do dia. Valores acima de 200 mg/dL associados a sintomas clínicos confirmam o diagnóstico.

Confirmação diagnóstica

Para confirmar o diagnóstico na ausência de sintomas, é necessário que dois exames alterados sejam observados. Quando há sintomas sugestivos claros, um único exame com valores diagnósticos já é suficiente, conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

O diagnóstico de pré-diabetes — estágio anterior ao diabetes — é identificado por glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL, ou HbA1c entre 5,7% e 6,4%. Essa fase é uma oportunidade valiosa para reverter o curso da doença com mudanças de estilo de vida.

Tratamento do diabetes tipo 2

Mudanças de estilo de vida

As mudanças comportamentais são a base do tratamento e, em muitos casos, são suficientes para controlar a glicemia, especialmente nos estágios iniciais da doença. As principais recomendações incluem:

  • Alimentação equilibrada: priorizar alimentos integrais, vegetais, legumes, proteínas magras e gorduras saudáveis. Reduzir açúcares adicionados, ultraprocessados e farinhas refinadas.
  • Atividade física regular: a prática de pelo menos 150 minutos por semana de exercícios aeróbicos moderados (caminhada, ciclismo, natação) aliada a exercícios de força melhora significativamente a sensibilidade à insulina.
  • Perda de peso: mesmo uma redução de 5% a 10% do peso corporal já produz efeitos mensuráveis no controle glicêmico.
  • Cessação do tabagismo e redução do consumo de álcool.
  • Monitoramento domiciliar da glicemia, conforme orientação médica.

Medicamentos

Quando as mudanças de estilo de vida não são suficientes, o médico pode indicar medicamentos. As principais classes utilizadas são:

  • Metformina: medicamento de primeira escolha na maioria dos casos. Atua reduzindo a produção hepática de glicose e melhora a sensibilidade à insulina. Geralmente bem tolerada e segura.
  • Inibidores de SGLT2 (glifozinas): como empagliflozina e dapagliflozina. Aumentam a eliminação de glicose pela urina. Demonstraram benefícios cardiovasculares e renais significativos.
  • Agonistas do receptor de GLP-1: como semaglutida e liraglutida. Estimulam a produção de insulina, reduzem o apetite e promovem perda de peso. Também com comprovação de proteção cardiovascular.
  • Inibidores de DPP-4 (gliptinas): como sitagliptina. Auxiliam na regulação da insulina com bom perfil de segurança.
  • Sulfonilureias: estimulam o pâncreas a produzir mais insulina. Eficazes, mas com risco de hipoglicemia.
  • Insulinoterapia: indicada quando os demais medicamentos não são suficientes para atingir as metas glicêmicas, ou em situações específicas.

Importante: a escolha do medicamento é altamente individualizada. O médico considera o perfil de cada paciente, suas comorbidades, função renal, risco cardiovascular e preferências pessoais. Nunca inicie ou altere medicamentos sem orientação profissional.

Possíveis complicações

Quando o diabetes tipo 2 não é adequadamente controlado por anos, o excesso de glicose no sangue danifica progressivamente vasos sanguíneos e nervos, levando a complicações sérias:

  • Retinopatia diabética: lesão nos vasos da retina que pode causar perda progressiva da visão e até cegueira.
  • Nefropatia diabética: comprometimento dos rins, podendo evoluir para insuficiência renal crônica.
  • Neuropatia periférica: dano nos nervos, causando dor, formigamento, dormência e perda de sensibilidade, especialmente nos pés.
  • Doença cardiovascular: diabéticos têm risco duas a quatro vezes maior de infarto e AVC.
  • Pé diabético: combinação de neuropatia e má circulação que pode levar a feridas de difícil cicatrização e, em casos graves, amputações.
  • Disfunção erétil e problemas sexuais.
  • Maior susceptibilidade a infecções.

A boa notícia é que todas essas complicações são amplamente evitáveis com controle glicêmico adequado, acompanhamento médico regular e adoção de hábitos saudáveis.

Prevenção do diabetes tipo 2

Estudos robustos demonstraram que é possível prevenir ou retardar significativamente o desenvolvimento do diabetes tipo 2, mesmo em pessoas com pré-diabetes. As medidas com maior evidência científica são:

  • Manter peso corporal adequado ou buscar redução progressiva em caso de sobrepeso.
  • Praticar atividade física regularmente — mesmo caminhadas diárias de 30 minutos já fazem diferença.
  • Adotar alimentação baseada em alimentos naturais e minimamente processados.
  • Realizar consultas médicas anuais com exames de glicemia a partir dos 45 anos, ou antes se houver fatores de risco.
  • Controlar a pressão arterial e os níveis de colesterol.
  • Evitar o tabagismo e consumo excessivo de álcool.

O estudo Diabetes Prevention Program (DPP), referência mundial na área, demonstrou que mudanças intensivas de estilo de vida reduziram em 58% o risco de desenvolver diabetes em pessoas com pré-diabetes — resultado superior ao obtido com medicamentos isolados.

Quando procurar atendimento médico

Busque atendimento médico se você perceber qualquer um dos sintomas mencionados anteriormente, especialmente sede intensa, urinação frequente e cansaço excessivo sem explicação.

Também é recomendável agendar uma consulta de rastreamento se você tiver 45 anos ou mais e nunca tiver feito exame de glicemia, se tiver histórico familiar de diabetes, se estiver acima do peso, ou se você foi diagnosticado com pré-diabetes e não está em acompanhamento regular.

Em situações de urgência — como confusão mental, respiração acelerada, vômitos frequentes, dor abdominal intensa ou perda de consciência em pessoas com diabetes —, procure imediatamente um serviço de emergência.

Dúvidas frequentes sobre diabetes tipo 2

1. Diabetes tipo 2 tem cura?

O termo “remissão” é mais adequado do que “cura”. Em alguns casos — especialmente com perda de peso significativa e mudanças robustas de estilo de vida — é possível que os níveis de glicemia voltem ao normal sem necessidade de medicamentos. No entanto, a predisposição biológica permanece, e qualquer descuido pode levar ao retorno da doença. Por isso, o acompanhamento contínuo é sempre necessário.

2. Diabético tipo 2 pode comer frutas?

Sim. Frutas são fontes importantes de vitaminas, minerais e fibras. O que importa é o consumo moderado e a variedade. Frutas com alto teor de fibras e menor índice glicêmico, como maçã, pera, frutas vermelhas e kiwi, são ótimas opções. Sucos naturais devem ser evitados, pois concentram açúcar sem as fibras que retardam sua absorção.

3. Qual é a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2?

No diabetes tipo 1, o sistema imunológico ataca as células produtoras de insulina no pâncreas, levando à ausência quase total do hormônio. Geralmente se manifesta na infância ou adolescência e exige insulinoterapia obrigatória. Já o diabetes tipo 2, muito mais comum, envolve resistência à ação da insulina e redução gradual da sua produção. Está fortemente ligado ao estilo de vida e geralmente aparece em adultos.

4. Posso praticar exercícios físicos tendo diabetes tipo 2?

Não só pode, como deve. O exercício físico é um dos pilares do tratamento do diabetes tipo 2. Ele melhora a sensibilidade à insulina, auxilia no controle do peso e reduz o risco cardiovascular. Antes de iniciar uma atividade mais intensa, é recomendável passar por avaliação médica. Pessoas que usam insulina ou sulfonilureias devem monitorar a glicemia antes e após os exercícios para prevenir hipoglicemia.

5. O que é hipoglicemia e o que fazer quando acontece?

Hipoglicemia é a queda da glicose abaixo de 70 mg/dL, podendo causar tremores, suor frio, palpitações, fraqueza, confusão mental e, em casos graves, perda de consciência. Quando ocorrer, ingira imediatamente 15g de carboidrato de rápida absorção (um copo de suco, três sachês de açúcar ou gel de glicose). Após 15 minutos, reavalie a glicemia. Se persistir baixa, repita. Episódios frequentes devem ser comunicados ao médico para ajuste do tratamento.

6. Com que frequência devo fazer consultas de acompanhamento? Para pessoas com diabetes tipo 2 em bom controle, consultas a cada 3 a 6 meses são adequadas, incluindo avaliação da hemoglobina glicada. Exames anuais de função renal, urina, lipídios, avaliação dos pés e rastreamento de retinopatia são recomendados pela Sociedade Brasileira de Diabetes. Em casos de controle instável ou complicações, o acompanhamento deve ser mais frequente.

Conclusão

O diabetes tipo 2 é uma condição séria, mas altamente manejável quando diagnosticada precocemente e tratada de forma adequada. A ciência médica avançou muito nas últimas décadas, oferecendo medicamentos cada vez mais eficazes, com benefícios que vão além do controle glicêmico, incluindo proteção cardíaca e renal.

Mais do que qualquer medicamento, porém, os hábitos de vida continuam sendo a ferramenta mais poderosa à disposição de cada pessoa: alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade e controle do estresse fazem diferença real e mensurável nos exames e na qualidade de vida.

Se você convive com diabetes tipo 2 ou suspeita de risco aumentado, mantenha o acompanhamento médico em dia. Cada consulta, cada exame e cada escolha alimentar é um passo em direção a uma vida mais saudável e com mais autonomia.

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Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui avaliação médica individualizada. Em caso de sintomas persistentes, procure atendimento profissional.

FAQ Estruturado

P: O que causa o diabetes tipo 2?

R: O diabetes tipo 2 é causado pela combinação de resistência à insulina, disfunção progressiva das células do pâncreas e fatores genéticos, potencializados por sobrepeso, sedentarismo e alimentação inadequada.

P: Quais são os primeiros sintomas do diabetes tipo 2?

R: Os primeiros sintomas incluem sede excessiva, urinação frequente, cansaço sem causa aparente, visão embaçada e feridas que demoram a cicatrizar.

P: Como confirmar o diagnóstico de diabetes tipo 2?

R: O diagnóstico é confirmado por glicemia de jejum igual ou acima de 126 mg/dL em duas medições, hemoglobina glicada igual ou acima de 6,5%, ou glicemia de 2 horas no teste oral de tolerância igual ou acima de 200 mg/dL.

P: O diabetes tipo 2 pode ser controlado só com dieta e exercício?

R: Em estágios iniciais, sim. Mudanças intensivas de estilo de vida podem normalizar a glicemia sem medicamentos. Em casos mais avançados, o uso de medicamentos se torna necessário.

P: Qual é o melhor remédio para diabetes tipo 2?

R: Não existe um único “melhor remédio”. A metformina é a primeira escolha na maioria dos casos, mas o tratamento é sempre individualizado pelo médico com base no perfil de saúde de cada paciente.

Referências Bibliográficas

1. International Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas, 10th edition. Brussels: IDF; 2021. Disponível em: https://diabetesatlas.org

2. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2022. São Paulo: SBD; 2022. Disponível em: https://www.diabetes.org.br

3. Ministério da Saúde (Brasil). Diabetes. Brasília: MS; 2023. Disponível em: https://www.saude.gov.br

4. American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes – 2024. Diabetes Care. 2024;47(Suppl 1):S1-S321.

5. World Health Organization. Global Report on Diabetes. Geneva: WHO; 2023. Disponível em: https://www.who.int/diabetes

6. Knowler WC, et al. Diabetes Prevention Program Research Group. Reduction in the incidence of type 2 diabetes with lifestyle intervention or metformin. N Engl J Med. 2002;346(6):393-403.

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