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Fezes com odor fétido: o que pode causar e quando procurar ajuda

Fezes com odor fétido — médico analisando diagrama do sistema digestivo para investigar causas de alteração no odor das fezes

Fezes com odor fétido: o que pode causar e quando procurar ajuda

Todo mundo já teve aquele momento de estranhamento no banheiro: o odor mais forte que o habitual, diferente do que a pessoa está acostumada. Em muitos casos, isso é absolutamente normal e passageiro — resultado de uma refeição diferente ou de um dia de digestão mais lenta. Mas quando as fezes com odor fétido se tornam frequentes, persistentes ou vêm acompanhadas de outros sintomas, o corpo pode estar sinalizando algo que merece atenção clínica.

O odor das fezes é determinado principalmente pela ação de bactérias intestinais sobre os alimentos não digeridos, especialmente proteínas e gorduras. Quando esse processo é alterado — seja por uma infecção, por uma doença que compromete a absorção dos nutrientes ou por mudanças na composição da microbiota intestinal (o conjunto de bactérias que habitam o intestino) —, o resultado pode ser um odor significativamente mais intenso e desagradável que o usual. Fezes com odor fétido de forma persistente são um sinal que o organismo usa para comunicar que algo no trato digestivo não está funcionando como deveria.

Qualquer pessoa pode apresentar fezes fétidas eventualmente, mas crianças pequenas, idosos, pacientes com doenças intestinais crônicas e pessoas imunocomprometidas são os grupos que mais frequentemente têm essa alteração como reflexo de condições clínicas que precisam de investigação. Neste artigo, você vai entender as causas mais comuns, quando se preocupar e o que fazer para investigar e tratar adequadamente.

O que significa fezes com odor fétido?

Fezes com odor fétido são aquelas cujo cheiro vai além do desagradável habitual — são descritas como odor podre, sulfuroso, azedo ou de decomposição, muito mais intenso do que o normal para aquela pessoa. É importante ter em mente que não existe um padrão universal: o que é considerado odor normal varia entre os indivíduos e depende de fatores como dieta, composição da microbiota intestinal e velocidade do trânsito intestinal.

O odor das fezes resulta da fermentação e putrefação de resíduos alimentares — principalmente proteínas não absorvidas e gorduras — pelas bactérias do intestino grosso. Substâncias como escatol, indol, sulfeto de hidrogênio e amônia são produzidas nesse processo e são as principais responsáveis pelo odor característico das fezes. Quando há excesso de gordura não absorvida (esteatorreia), fermentação exagerada de carboidratos ou proliferação de bactérias patogênicas, a produção dessas substâncias aumenta drasticamente, resultando em fezes com odor fétido e muitas vezes com aparência alterada.

De acordo com a Federação Brasileira de Gastroenterologia [1], alterações persistentes no odor das fezes — especialmente quando associadas a mudanças na consistência, frequência ou cor — são um dos sinais que devem motivar a procura por avaliação médica.

Causas de fezes com odor fétido

As causas de fezes com odor fétido são variadas e vão de situações completamente benignas e passageiras até condições que exigem investigação e tratamento urgente. Conhecê-las ajuda a distinguir quando se preocupar.

Causas alimentares e passageiras

Alimentos ricos em enxofre — como ovos, brócolis, repolho, couve-flor, feijão, alho e cebola — são metabolizados pelas bactérias intestinais e liberam gases e compostos sulfurosos que intensificam significativamente o odor das fezes. O mesmo ocorre com o consumo excessivo de carnes vermelhas e proteínas animais em geral, que quando fermentadas produzem grandes quantidades de amônia e compostos nitrogenados de odor muito forte.

O uso de antibióticos é outra causa frequente: ao eliminar tanto as bactérias nocivas quanto as benéficas, os antibióticos desequilibram a microbiota intestinal temporariamente, favorecendo a proliferação de microrganismos que produzem mais compostos fétidos. As fezes tendem a normalizar após o término do tratamento e a recuperação da microbiota.

Causas clínicas mais relevantes

Má absorção intestinal (síndromes disabsortivas): quando o intestino delgado não consegue absorver adequadamente gorduras, proteínas e carboidratos, esses nutrientes chegam ao intestino grosso em excesso e são fermentados pelas bactérias, produzindo fezes com odor fétido intenso, geralmente pastosas ou líquidas, oleosas e com tendência a flutuar — as chamadas fezes esteatorreicas (com gordura). As principais causas de má absorção incluem:

  • Doença celíaca: intolerância permanente ao glúten (proteína do trigo, cevada e centeio) que danifica as vilosidades do intestino delgado responsáveis pela absorção
  • Insuficiência pancreática: quando o pâncreas não produz enzimas digestivas suficientes, as gorduras não são digeridas e chegam ao cólon íntegras, gerando odor fétido intenso
  • Doença de Crohn: inflamação crônica do trato gastrointestinal que compromete a absorção de nutrientes em diferentes trechos do intestino
  • Síndrome do intestino curto: após cirurgias que removem extensos segmentos do intestino

Infecções intestinais: bactérias como Clostridioides difficile (C. diff) — especialmente após uso de antibióticos —, Salmonella, Campylobacter e parasitas como Giardia lamblia e Cryptosporidium causam inflamação e diarreia com odor característico extremamente fétido. A giardíase, em particular, produz fezes com odor sulfuroso muito pronunciado, frequentemente associado a flatulência excessiva e distensão abdominal.

Intolerância à lactose: a lactose não digerida chega ao intestino grosso e é fermentada pelas bactérias, produzindo gases e fezes ácidas com odor fétido, geralmente acompanhadas de diarreia, distensão e cólicas após o consumo de laticínios.

Doenças inflamatórias intestinais (DII): colite ulcerativa e doença de Crohn cursam com inflamação ativa do intestino, diarreia com sangue e muco e fezes com odor muito intenso durante as crises.

Câncer colorretal: embora não seja a causa mais comum, tumores no intestino grosso podem provocar alterações no odor e na aparência das fezes — especialmente fezes escuras, com sangue oculto ou visivelmente avermelhadas.

Fatores de risco

Alguns fatores aumentam a probabilidade de fezes com odor fétido de origem clínica: histórico familiar de doença celíaca ou doença inflamatória intestinal, uso frequente de antibióticos, dieta muito rica em proteínas e gorduras animais, viagens internacionais recentes (risco aumentado de parasitoses), imunossupressão e cirurgias gastrointestinais prévias.

Em crianças, a introdução alimentar, as infecções intestinais frequentes e as parasitoses (como giardíase e ascaridíase) são as causas mais comuns. Em idosos, a redução da produção enzimática e as alterações da microbiota pelo uso de múltiplos medicamentos tornam as fezes fétidas mais frequentes.

Sintomas associados

Sintomas comuns

As fezes com odor fétido raramente surgem de forma isolada quando têm causa clínica. Os sintomas mais frequentemente associados incluem: diarreia ou fezes pastosas, distensão abdominal e flatulência excessiva, cólicas intestinais, náuseas, perda de apetite e fezes oleosas ou que flutuam (sinal de má absorção de gordura).

Sintomas menos comuns

Emagrecimento progressivo sem causa aparente, fraqueza intensa, anemia (palidez, cansaço, falta de ar com esforços mínimos) e deficiências vitamínicas — como unhas quebradiças, queda de cabelo e dormências nas extremidades — podem surgir nos casos de má absorção intestinal crônica.

Sinais de alerta — procure atendimento imediato

  • Sangue visivelmente nas fezes — vermelho vivo ou fezes escuras como borra de café (melena)
  • Febre alta (acima de 38,5°C) associada a diarreia com odor fétido intenso
  • Diarreia por mais de 3 dias sem melhora, especialmente em crianças pequenas e idosos
  • Sinais de desidratação grave: boca seca, urina muito escura, tontura ao levantar, olhos fundos
  • Emagrecimento rápido e involuntário nas últimas semanas ou meses
  • Dor abdominal intensa e constante, diferente de uma simples cólica
Fezes com odor fétido causas — ilustração médica do sistema digestivo mostrando intestino grosso com microbiota bacteriana e processo de fermentação intestinal

Diagnóstico

O diagnóstico das causas de fezes com odor fétido começa com uma avaliação clínica detalhada. O médico questiona sobre o tempo de início do problema, a frequência das evacuações, a aparência e a consistência das fezes, o histórico alimentar recente, uso de medicamentos (especialmente antibióticos), viagens, sintomas associados e histórico familiar de doenças intestinais.

Avaliação clínica

O exame físico do abdômen — com palpação para identificar pontos dolorosos, distensão ou massas — complementa a anamnese. Em crianças, o médico avalia o crescimento e o estado nutricional, já que a má absorção crônica compromete o ganho de peso e a estatura.

Exames utilizados

Dependendo da suspeita clínica, o gastroenterologista ou clínico geral pode solicitar:

  • Parasitológico de fezes (EPF): identifica parasitas como Giardia, Ascaris e outros
  • Coprocultura: detecta bactérias patogênicas como Salmonella, Campylobacter e C. difficile
  • Pesquisa de gordura fecal (Sudan III ou esteatócrito): quantifica a gordura nas fezes — exame essencial na suspeita de má absorção
  • Teste do hidrogênio expirado: avalia intolerância à lactose e ao frutose, além de supercrescimento bacteriano no intestino delgado
  • Sorologia e biópsia intestinal: para diagnóstico de doença celíaca
  • Colonoscopia com biópsia: nos casos com sangramento, alteração do hábito intestinal persistente ou suspeita de doença inflamatória ou câncer colorretal
  • Elastase pancreática fecal: avalia a função do pâncreas — reduzida na insuficiência pancreática exócrina

Confirmação diagnóstica

“A chave para o diagnóstico é uma história clínica bem conduzida. Muitas vezes, o próprio relato do paciente — sobre o tipo de fezes, o que come, os medicamentos que usa e há quanto tempo o problema ocorre — já aponta diretamente para a causa mais provável”, afirma o Dr. Marcelo Tavares, gastroenterologista revisor deste artigo.

Tratamento

O tratamento das fezes com odor fétido é sempre dirigido à causa identificada. Não existe tratamento genérico para o odor em si — o que se trata é a condição subjacente que o provoca.

Tratamentos médicos atuais

  • Infecções parasitárias (giardíase, etc.): antiparasitários específicos como metronidazol ou tinidazol, prescritos pelo médico após confirmação diagnóstica
  • Infecção por C. difficile: antibióticos específicos (vancomicina oral ou fidaxomicina) e, nos casos recorrentes, transplante de microbiota fecal — tratamento emergente com excelentes resultados
  • Doença celíaca: dieta sem glúten de forma permanente — a única intervenção eficaz; a melhora do odor e da consistência das fezes costuma ocorrer em semanas
  • Insuficiência pancreática exócrina: reposição de enzimas pancreáticas (pancreatina) junto às refeições
  • Intolerância à lactose: restrição ou eliminação de laticínios e uso de lactase enzimática
  • Doença de Crohn e colite ulcerativa: tratamento com anti-inflamatórios intestinais, imunossupressores e, nos casos mais graves, imunobiológicos

Medicamentos de suporte

Probióticos — suplementos com bactérias benéficas como Lactobacillus e Bifidobacterium — podem auxiliar na recomposição da microbiota intestinal após antibioticoterapia e em condições de disbiose (desequilíbrio das bactérias intestinais). Seu uso deve ser orientado por médico ou nutricionista.

Mudanças de estilo de vida recomendadas

  • Aumentar o consumo de fibras (frutas, verduras, leguminosas e cereais integrais) — modulam positivamente a microbiota intestinal
  • Reduzir proteínas animais em excesso — especialmente carnes vermelhas e embutidos
  • Hidratar-se adequadamente — mínimo de 2 litros de água por dia
  • Evitar alimentos ultraprocessados — ricos em aditivos que desequilibram a microbiota
  • Mastigar bem os alimentos — a digestão começa na boca; alimentos mal mastigados chegam ao intestino menos digeridos e fermentam mais
  • Manter registro alimentar — identificar quais alimentos desencadeiam o problema em cada caso

Cuidados de Enfermagem

Na atenção básica e em ambientes hospitalares, o enfermeiro frequentemente é o primeiro profissional a receber a queixa de fezes com odor fétido — especialmente em pacientes internados, crianças e idosos institucionalizados.

Orientações práticas de enfermagem:

  • Registro detalhado das fezes: cor, consistência (Escala de Bristol), frequência, presença de sangue, muco ou gordura visível e odor — essas informações são fundamentais para o diagnóstico diferencial
  • Avaliação do estado de hidratação em pacientes com diarreia associada, especialmente crianças e idosos — verificar turgor da pele, umidade das mucosas e débito urinário
  • Coleta correta de amostras de fezes para exames laboratoriais — orientar o paciente sobre o frasco adequado, o tempo máximo de coleta e o armazenamento antes da entrega
  • Educação nutricional básica: orientar sobre alimentos que podem acentuar o odor (ricos em enxofre, proteínas em excesso) e sobre a importância da hidratação e das fibras
  • Monitoramento de pacientes em uso de antibióticos — alertar a equipe médica diante de diarreia com odor muito fétido e fezes líquidas esverdeadas, sugestivas de infecção por C. difficile
  • Precaução de contato em casos suspeitos ou confirmados de infecção por C. difficile — uso de luvas, avental e higienização das mãos com água e sabão (o álcool gel não elimina os esporos)

Possíveis complicações

Quando as fezes com odor fétido decorrem de uma causa clínica não tratada, as complicações podem ser sérias:

Desnutrição e deficiências vitamínicas são as consequências mais frequentes da má absorção intestinal crônica. Vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e minerais como ferro, cálcio e zinco deixam de ser absorvidos adequadamente, resultando em anemia, osteoporose, imunidade reduzida e comprometimento do crescimento em crianças.

Desidratação grave pode ocorrer rapidamente em crianças pequenas e idosos com diarreia fétida intensa, levando à necessidade de internação e reidratação venosa.

Infecção por C. difficile grave pode evoluir para colite pseudomembranosa — inflamação grave do cólon — e, nos casos mais sérios, para megacólon tóxico (dilatação perigosa do intestino) com risco de vida.

Diagnóstico tardio de doença celíaca em crianças resulta em comprometimento do desenvolvimento neurológico e físico, além de aumentar o risco de complicações a longo prazo como linfoma intestinal.

Prevenção

Nem toda causa de fezes com odor fétido é prevenível, mas muitas podem ser evitadas ou minimizadas com hábitos simples. Lavar as mãos com água e sabão antes de comer e após usar o banheiro é a medida mais eficaz de prevenção de infecções intestinais. Consumir alimentos bem cozidos, evitar água não tratada e ter cuidado com alimentos crus em ambientes de risco reduzem significativamente as infecções por bactérias e parasitas.

Manter uma dieta equilibrada, com variedade de alimentos e boa ingestão de fibras, favorece uma microbiota intestinal saudável e reduz a fermentação excessiva. O uso de antibióticos deve ser sempre feito sob prescrição médica — o uso desnecessário desequilibra a microbiota e aumenta o risco de infecções oportunistas.

Para pessoas com histórico familiar de doença celíaca, rastreamento periódico com sorologia específica (anti-transglutaminase IgA) é recomendado pelas sociedades de gastroenterologia — o diagnóstico precoce evita anos de má absorção silenciosa.

Fezes com odor fétido prevenção — pessoa lavando mãos com sabão e água corrente para evitar infecções intestinais causadoras de alterações nas fezes

Quando procurar atendimento médico?

Fezes com odor fétido de forma episódica e sem outros sintomas, claramente relacionadas a uma refeição específica ou ao uso de antibióticos, geralmente não exigem avaliação médica imediata. A observação, a melhora da dieta e a hidratação adequada costumam resolver o quadro em poucos dias.

Procure um médico — clínico geral ou gastroenterologista — se:

  • As fezes fétidas persistirem por mais de 2 semanas sem causa alimentar evidente
  • Houver diarreia associada por mais de 3 dias, especialmente em crianças e idosos
  • As fezes forem oleosas, pastosas e flutuarem no vaso — sinal clássico de má absorção de gordura
  • Houver emagrecimento involuntário nas últimas semanas
  • O problema vier acompanhado de dor abdominal persistente, distensão intensa ou perda de apetite
  • As fezes apresentarem sangue visivelmente — procure pronto-socorro imediatamente
  • Crianças não estiverem ganhando peso adequadamente ou apresentarem crescimento abaixo do esperado
  • Você tiver histórico familiar de doença celíaca, doença de Crohn ou câncer colorretal e notar qualquer alteração intestinal persistente

Dúvidas frequentes

1. Fezes com odor muito forte sempre indicam doença? Não. Na maioria das vezes, fezes com odor fétido são resultado da dieta — especialmente alimentos ricos em enxofre, proteínas ou fibras fermentáveis — e são completamente normais. A preocupação surge quando o odor é persistente, muito diferente do habitual para aquela pessoa e vem acompanhado de outros sintomas como diarreia, emagrecimento ou sangue nas fezes.

2. Fezes que flutuam e cheiram muito forte são sinal de quê? Fezes que flutuam, têm odor muito forte e aparência oleosa ou gordurosa são sintomas clássicos de esteatorreia — excesso de gordura nas fezes, indicativo de má absorção intestinal. As causas mais comuns incluem doença celíaca, insuficiência pancreática e doença de Crohn. Esse sinal merece avaliação médica.

3. Bebê com fezes fétidas é normal? Bebês em aleitamento materno costumam ter fezes com odor suave. Fezes muito fétidas em bebês, especialmente quando pastosas, esverdeadas ou com muco, podem indicar infecção intestinal, intolerância à proteína do leite de vaca ou parasitose — e merecem avaliação pediátrica, especialmente se associadas a choro excessivo, perda de peso ou recusa alimentar.

4. O uso de probióticos melhora o odor das fezes? Em alguns casos, sim. Os probióticos modulam a composição da microbiota intestinal e podem reduzir a produção de compostos fétidos, especialmente após o uso de antibióticos ou em casos de disbiose. No entanto, o uso deve ser orientado por médico ou nutricionista, pois nem todos os probióticos são iguais e a indicação depende da causa do problema.

5. Dieta vegana ou vegetariana causa fezes mais fétidas? O alto consumo de leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico) e crucíferas (brócolis, couve, repolho) pode intensificar o odor das fezes temporariamente, pela maior produção de gases sulfurosos na fermentação dessas fibras. Com a adaptação da microbiota à dieta à base de plantas, esse efeito tende a diminuir. Não é, portanto, um sinal de doença.

6. Fezes escuras e fétidas são sempre sangue? Nem sempre. Fezes escuras podem resultar do consumo de alimentos como beterraba, suplementos de ferro ou bismuto. Mas fezes muito escuras, quase negras, pastosas e com odor extremamente fétido — chamadas de melena — indicam sangramento no trato gastrointestinal alto (estômago ou intestino delgado) e exigem atendimento médico urgente.

Conclusão

As fezes com odor fétido são um sintoma que merece atenção — não pânico, mas tampouco descaso. Na maior parte das vezes, a causa é alimentar e passageira. Mas quando o problema persiste, se intensifica ou vem acompanhado de outros sinais, o corpo está pedindo investigação. Conhecer os próprios hábitos intestinais é parte do autocuidado: qualquer mudança persistente no odor, na consistência ou na frequência das fezes deve ser relatada ao médico.

O intestino é, literalmente, o segundo cérebro do organismo — e cuidar da saúde intestinal com alimentação equilibrada, hidratação, higiene e acompanhamento médico regular é investir em qualidade de vida em todas as dimensões.

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Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui avaliação médica individualizada. Em caso de sintomas persistentes, procure atendimento profissional.

Referências Bibliográficas

  1. Federação Brasileira de Gastroenterologia. Guia Prático de Doenças do Aparelho Digestivo. São Paulo: FBG; 2023. Disponível em: https://www.fbg.org.br. Acesso em: mar. 2025. [1]
  2. Ministério da Saúde (Brasil). Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ª ed. Brasília: MS; 2014 (reimpressão 2021). Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: mar. 2025. [2]
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda: Diagnóstico e Tratamento. Rio de Janeiro: SBP; 2022. Disponível em: https://www.sbp.com.br. Acesso em: mar. 2025. [3]
  4. Leffler DA, Lamont JT. Clostridium difficile infection. N Engl J Med. 2015;372(16):1539-48. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25875259. Acesso em: mar. 2025. [4]
  5. Rubio-Tapia A, Hill ID, Kelly CP, Calderwood AH, Murray JA. ACG Clinical Guidelines: Diagnosis and Management of Celiac Disease. Am J Gastroenterol. 2013;108(5):656-76. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23609613. Acesso em: mar. 2025. [5]
  6. World Health Organization. Diarrhoeal disease fact sheet. Geneva: WHO; 2023. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/diarrhoeal-disease. Acesso em: mar. 2025. [6]

FAQ — 5 perguntas curtas

P1: O que causa fezes com odor fétido? R: Fezes com odor fétido podem ser causadas por dieta rica em proteínas ou enxofre, infecções intestinais, parasitoses, intolerância à lactose, doença celíaca ou má absorção intestinal. Causas persistentes exigem avaliação médica.

P2: Fezes com cheiro muito forte podem indicar doença grave? R: Sim, quando persistentes e associadas a outros sintomas como diarreia, emagrecimento, fezes oleosas ou sangue. Doença celíaca, insuficiência pancreática, Crohn e infecção por C. difficile são causas que exigem tratamento.

P3: Fezes que flutuam e têm odor forte indicam o quê? R: Fezes que flutuam, têm odor intenso e aparência gordurosa indicam esteatorreia — excesso de gordura nas fezes — sinal clássico de má absorção intestinal. As causas mais comuns são doença celíaca e insuficiência pancreática.

P4: Quando fezes fétidas exigem médico urgente? R: Procure atendimento urgente se as fezes forem escuras como borra de café (melena), houver sangue visível, febre alta, diarreia intensa em crianças ou idosos, ou sinais de desidratação grave como tontura e boca seca.

P5: Probiótico resolve fezes com odor fétido? R: Em casos de desequilíbrio da microbiota — especialmente após antibióticos — probióticos podem ajudar a reduzir o odor. Porém, causas clínicas como parasitoses e má absorção precisam de tratamento específico prescrito por médico.

 

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