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Candidíase cutânea: causas, sintomas e como tratar

Candidíase cutânea — imagem ilustrativa de manchas avermelhadas e descamação na pele causadas pelo fungo Candida

Candidíase cutânea: causas, sintomas e como tratar

A candidíase cutânea é uma infecção fúngica da pele causada por fungos do gênero Candida, especialmente a espécie Candida albicans. Embora pareça um problema simples à primeira vista, ela pode causar desconforto intenso, afetar dobras do corpo e, quando não tratada corretamente, evoluir para quadros mais graves. Se você sentiu aquela coceira persistente com vermelhidão nas dobras da pele — axila, virilha, entre os dedos ou sob os seios —, é possível que esteja diante dessa infecção.

No Brasil, a candidíase cutânea está entre as dermatoses fúngicas mais frequentes atendidas em unidades básicas de saúde e pronto-socorros. Pessoas com diabetes, obesidade, imunidade baixa ou que fazem uso prolongado de antibióticos são as mais vulneráveis. Segundo dados do Ministério da Saúde, infecções fúngicas de pele representam uma parcela significativa das consultas dermatológicas no país, especialmente nas regiões de clima quente e úmido.

Neste artigo, você vai entender o que é a candidíase cutânea, como ela se manifesta, de que forma é tratada e, principalmente, como se prevenir. As informações foram organizadas para pacientes, cuidadores e profissionais de enfermagem que atuam na linha de frente do cuidado ao paciente.

O que é candidíase cutânea?

A candidíase cutânea é uma infecção oportunista causada por fungos do gênero Candida, que habitam naturalmente a pele e as mucosas do corpo humano em pequenas quantidades. O problema surge quando esse fungo se multiplica de forma descontrolada, geralmente em ambientes quentes, úmidos e com pouca ventilação — condições ideais para o crescimento do microrganismo.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a Candida albicans é responsável pela maioria dos casos de infecção cutânea por fungo. Ela pode afetar diferentes regiões do corpo, especialmente as dobras cutâneas (intertrigo candidótico), o espaço entre os dedos (interdigital), as unhas (onicomicose por Candida) e até a região da fralda em bebês. Não se trata de uma doença exclusiva de nenhuma faixa etária: acomete do recém-nascido ao idoso, com maior prevalência em indivíduos com fatores de risco específicos.

Causas de candidíase cutânea

A principal causa da candidíase cutânea é o desequilíbrio da microbiota da pele, que permite o crescimento excessivo do fungo Candida. Esse desequilíbrio pode ter diferentes origens, e entender os gatilhos é fundamental para tratar e prevenir novos episódios.

O uso prolongado de antibióticos de amplo espectro é um dos fatores mais comuns: ao eliminar bactérias benéficas da pele e do organismo, eles abrem espaço para o fungo se proliferar. Da mesma forma, o uso de corticosteroides — seja por via oral ou tópica — reduz a resposta imunológica local, favorecendo a infecção. Pessoas com diabetes mellitus apresentam níveis elevados de glicose na pele, criando um ambiente nutritivo para o crescimento do fungo.

Outros fatores de risco incluem: obesidade (que aumenta as dobras de pele com atrito e umidade), imunossupressão por doenças como HIV/AIDS ou tratamentos quimioterápicos, uso de fraldas em bebês e idosos, roupas sintéticas e apertadas, suor excessivo (hiperidrose) e má higiene. A candidíase cutânea, portanto, não é resultado de descuido exclusivo — ela tem raízes clínicas e multifatoriais.

Sintomas de candidíase cutânea

Os sintomas da candidíase cutânea variam conforme a região afetada, mas existe um padrão bastante característico que facilita a identificação. O sinal mais comum é uma vermelhidão intensa nas dobras da pele, acompanhada de coceira que pode variar de leve a insuportável. Em muitos casos, o paciente relata sensação de ardência e calor local — como se a pele estivesse “em brasa”.

A lesão costuma apresentar bordas bem definidas, com pequenas pústulas (bolinhas com pus) nas margens — chamadas de lesões satélites — que são um sinal bastante indicativo de infecção por Candida. A pele afetada pode descamar, apresentar fissuras (rachaduras) e exalar odor característico, especialmente nas dobras mais profundas. Em casos mais avançados, pode surgir maceração (amolecimento e desintegração da pele) e feridas abertas.

Se a candidíase cutânea atingir as unhas, o sintoma típico é o espessamento, amolecimento e mudança de coloração da lâmina ungueal. Quando há febre, disseminação rápida das lesões ou surgimento de lesões em múltiplos sítios ao mesmo tempo, esses são sinais de alerta que exigem avaliação médica urgente, pois podem indicar candidíase sistêmica (infecção disseminada pelo organismo).

Candidíase cutânea sintomas — imagem ilustrativa de vermelhidão e lesões nas dobras da pele causadas pelo fungo Candida

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da candidíase cutânea é essencialmente clínico, ou seja, baseado na avaliação das lesões pelo profissional de saúde — geralmente um dermatologista ou clínico geral. A aparência característica das lesões, sua localização nas dobras e a presença das lesões satélites já são altamente sugestivas da infecção.

Quando há dúvida diagnóstica ou suspeita de resistência ao tratamento, o médico pode solicitar exame micológico direto (análise de raspado da lesão ao microscópio) ou cultura fúngica para identificar a espécie do fungo. Em pacientes imunocomprometidos ou com candidíase recorrente sem causa aparente, exames laboratoriais para investigar diabetes, alterações hormonais ou imunodeficiências podem ser indicados.

“O diagnóstico correto da candidíase cutânea evita o uso indiscriminado de antifúngicos e reduz o risco de resistência fúngica, que é uma preocupação crescente na dermatologia moderna”, destaca a Dra. Fernanda Martins, dermatologista e revisora deste conteúdo. A automedicação, especialmente com cremes antifúngicos combinados com corticosteroides sem prescrição, pode mascarar os sintomas e dificultar o diagnóstico correto.

Tratamento de candidíase cutânea

O tratamento da candidíase cutânea depende da extensão das lesões, da localização e da condição clínica do paciente. Na maioria dos casos, o tratamento é feito com antifúngicos tópicos — cremes, loções ou pós aplicados diretamente na pele. As classes mais utilizadas incluem os imidazólicos (como miconazol, clotrimazol e cetoconazol) e as alilaminas (como terbinafina), com duração média de 2 a 4 semanas.

Em casos mais extensos, recorrentes ou em pacientes com imunossupressão, o médico pode indicar antifúngicos sistêmicos por via oral, como o fluconazol. É fundamental que o tratamento seja seguido até o final, mesmo que os sintomas melhorem antes — interromper precocemente favorece a recidiva (volta da infecção). O tratamento deve sempre ser prescrito por um profissional de saúde habilitado, pois a escolha do antifúngico, a dose e a duração variam caso a caso.

Além do antifúngico, medidas de suporte são essenciais: manter a área afetada seca e arejada, usar roupas leves e de fibras naturais, controlar doenças de base como diabetes e evitar o uso desnecessário de antibióticos contribuem diretamente para o sucesso do tratamento da candidíase cutânea.

Cuidados de Enfermagem

O enfermeiro tem papel central no manejo da candidíase cutânea, especialmente em pacientes internados, acamados, em uso de fraldas ou com doenças crônicas. A avaliação diária da pele — parte obrigatória da sistematização da assistência de enfermagem (SAE) — permite identificar precocemente lesões suspeitas e acionar o protocolo de tratamento antes que a infecção progrida.

Na prática, os principais cuidados de enfermagem incluem:

  • Higiene rigorosa e secagem das dobras cutâneas após o banho, especialmente em pacientes acamados. A umidade residual é o principal aliado do fungo.
  • Troca frequente de fraldas e dispositivos absorventes, com limpeza suave da pele perianal e perineal com água morna e sabão neutro.
  • Aplicação correta do antifúngico tópico prescrito pelo médico, orientando o paciente ou cuidador sobre técnica, quantidade e frequência.
  • Monitoramento da evolução das lesões: registrar tamanho, aspecto, coloração e sintomas relatados pelo paciente a cada avaliação.
  • Educação em saúde para o paciente e familiar: explicar a importância de não coçar as lesões, não compartilhar toalhas, usar roupas folgadas e manter o ambiente de cuidado seco e higienizado.

Em pacientes diabéticos ou imunossuprimidos, a vigilância deve ser redobrada, pois a candidíase cutânea pode evoluir rapidamente para quadros sistêmicos com risco de vida.

Como prevenir candidíase cutânea?

A prevenção da candidíase cutânea passa, acima de tudo, por hábitos simples que mantêm a pele seca, limpa e com boa circulação de ar. Secar bem as dobras do corpo após o banho — axila, virilha, entre os dedos dos pés, sob os seios — é uma medida básica e altamente eficaz. Evitar roupas sintéticas e apertadas também contribui para reduzir a umidade local.

Pessoas com diabetes devem manter o controle glicêmico adequado, pois o excesso de açúcar na pele favorece o crescimento do fungo. O uso de antibióticos e corticosteroides deve ser restrito ao que for realmente necessário e sempre sob orientação médica. Para quem tem tendência a infecções fúngicas recorrentes, o médico pode indicar uso preventivo de antifúngicos em períodos de maior risco.

Em ambientes hospitalares e de cuidado prolongado, os protocolos de prevenção de infecção de pele devem ser seguidos rigorosamente pela equipe de enfermagem, incluindo o uso de barreiras protetoras na pele de pacientes acamados e o controle da umidade nas regiões de dobra.

Candidíase cutânea prevenção — imagem ilustrativa de enfermeira aplicando creme antifúngico em ombro do paciente

Quando procurar ajuda médica?

A candidíase cutânea, na maioria dos casos, responde bem ao tratamento tópico. Mas existem situações que exigem avaliação médica imediata. Procure uma UPA, pronto-socorro ou dermatologista se:

  • As lesões não melhorarem após 1 semana de uso correto do antifúngico tópico;
  • A infecção se espalhar rapidamente para outras regiões do corpo;
  • Surgirem febre, calafrios ou mal-estar geral junto às lesões de pele;
  • Você for diabético, imunossuprimido ou estiver em tratamento quimioterápico;
  • As lesões apresentarem feridas abertas, sangramento ou sinais de infecção bacteriana secundária (pus com odor fétido, calor intenso, inchaço);
  • Os episódios de candidíase cutânea forem recorrentes (mais de 3 vezes ao ano).

Não deixe a candidíase cutânea sem cuidado por muito tempo. Uma infecção tratada no início é mais fácil de resolver e causa menos dano à pele. Cuide do seu corpo com atenção e, ao menor sinal de dúvida, busque orientação profissional.

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Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui avaliação médica individualizada. Em caso de sintomas persistentes, procure atendimento profissional.

Referências Bibliográficas

  1. Ministério da Saúde (Brasil). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Infecções Fúngicas. Brasília: MS; 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: fev. 2025.
  2. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Candidíase cutânea: diagnóstico e tratamento. Rio de Janeiro: SBD; 2022. Disponível em: https://www.sbd.org.br. Acesso em: fev. 2025.
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  4. Pappas PG, Kauffman CA, Andes DR, Clancy CJ, Marr KA, Ostrosky-Zeichner L, et al. Clinical Practice Guideline for the Management of Candidiasis: 2016 Update by the Infectious Diseases Society of America. Clin Infect Dis. 2016;62(4):e1-50. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26679628. Acesso em: fev. 2025.
  5. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução COFEN nº 358/2009: Sistematização da Assistência de Enfermagem. Brasília: COFEN; 2009. Disponível em: https://www.cofen.gov.br. Acesso em: fev. 2025.

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